Segurança hídrica na energia elétrica: a crise no contexto brasileiro

Escassez de água no Brasil? Debater segurança hídrica e geração de energia em um país que concentra cerca de 12% da água doce do mundo pode causar estranhamento. No entanto, a distribuição irregular do recurso entre as regiões no tempo e no espaço, a carga de poluição próxima às cidades e os riscos climáticos condicionam o amplo acesso à água potável à necessidade de uma gestão eficiente. Além disso, a matriz de energia elétrica dependente em 63% de hidrelétricas torna o setor suscetível à disponibilidade hídrica e às condições do clima.
Em junho, a ANA declarou situação crítica de escassez de água na Região Hidrográfica da bacia do rio Paraná, onde grande parte da energia hídrica é gerada. A baixa nos níveis dos reservatórios impacta a produção de energia, as populações vulneráveis e as atividades econômicas, com múltiplos prejuízos, estruturando um cenário de crise.
Normalmente, o setor energético utiliza de 80 a 90% de energia hídrica, que possui menor custo de geração, enquanto paga para as térmicas, um “seguro” para serem utilizadas em tempos de poucas vazões. Com a falta de água, a solução pontual foi o acionamento das termelétricas, mais poluentes e caras, gerando um aumento de custo nas tarifas ao consumidor.

Por que a seca ocorre?
Fases secas são parte da variabilidade natural interdecadal, que compreende períodos longos de análise das séries. O clima não é estável, nós que desejamos que seja. Essa variação é representada no conceito Efeitos José e Noé, proposto por Mandelbrot e Wallis (1968) ao analisarem os registros de medições do rio Nilo desde o Egito Antigo. Ao examinarem as séries, os pesquisadores verificaram padrões regulares no decorrer do tempo de períodos longos acima ou abaixo da média de vazão. Assim, designaram com os termos, que fazem alusão às passagens bíblicas, intervalos de seca (Efeito José) e de chuvas extremas (Efeito Noé).
Entretanto, há limitações no que compreendemos sobre os fenômenos climáticos. A variabilidade do clima global resulta da conexão de sistemas complexos, diversos e interligados. Os desafios da previsibilidade são intensificados por efeitos antrópicos, como os decorrentes das mudanças climáticas, que adicionam novos elementos ao sistema, com conexões e encadeamentos diversos.
Assim, a segurança hídrica implica a necessidade e a urgência de uma gestão eficiente para garantir a disponibilidade diante às variabilidades. É preciso estar preparado para os riscos, com medidas preventivas que reduzam os seus impactos, e construir uma cultura de mais cuidado com os recursos hídricos. A seca existe e a vazão é menor, mas haveria mais água se houvesse melhor gerenciamento, investimento em alternativas de reuso, no saneamento, na rede de distribuição – onde quase 40% da água potável é perdida antes de chegar às torneiras – e preservação dos mananciais.

About RHAMA

A RHAMA desenvolve soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios ambientais, com ênfase nas áreas de recursos hídricos, meteorologia e geotecnia. Sob responsabilidade técnica do Eng. PhD Carlos Eduardo Morelli Tucci, conta com uma equipe interdisciplinar que integra olhares de especialistas de diferentes áreas do conhecimento para oferecer soluções inteligentes e integradas. Atua há 19 anos por meio de projetos de engenharia, educação e desenvolvimento de soluções tecnológicas. Ao longo dessa trajetória, consolidou uma reputação de excelência, graças ao alto nível de qualidade técnica e ao investimento contínuo em pesquisa e inovação.

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